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Rituais de fim de ano

 Ele fica pensando que é preciso se conectar de forma mais profunda. Talvez as coisas simples sejam, no fim das contas, a senha de acesso. O ano vai se fechando, o Natal se anuncia, e lá está novamente o especial do Roberto Carlos. Clichê, previsível, quase um déjà-vu. Ele assiste — não exatamente por vontade, mas porque está ali, ao lado da mãe, dividindo o mesmo sofá, o mesmo silêncio confortável. O especial, essa tentativa meio desajeitada de fabricar emoção, caminha numa linha frágil entre o cafona e o nostálgico. E o atravessa não tanto pela música, mas pelo que ela mobiliza ao redor: a presença da mãe, as lembranças da infância, a avó, um tempo em que tudo parecia mais simples. Não é uma emoção declarada, mas um acúmulo de pequenos fragmentos de memória. Uma nostalgia discreta, misturada a uma busca constante por conexões mais profundas. Talvez seja isso que desenhe esse homem de 58 anos: alguém que tenta se reconhecer no que permanece, no que não faz barulho, no que ainda in...

Medinho

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Tenho medo de sapo,nojo também,medo de tempestade,  medo que entre àgua na minha casa e um medinho de morrer, medinho pois é uma certeza contra qual não posso fazer nada, mas tá sempre ali.  Medinhos:  será que vou acordar pela manhã,  perder as pessoas que amo , minha cachorrinha  morrer,  deixar de viver.et.etc e etc. A vida é boa,tive sorte,sou amado,tive oportunidades,a sensibilidade não me abandonou, tem gente que passa a vida anestesiado.  Não estar aqui faz parte e é algo que não me paralisa mas o medinho continua ali me lembrando sempre  do agora e sussurrando  no meu ouvido de forma suave: Vai,vive!!!

Macetando

A onda do momento? não sei. A dancinha do momento ?não sei. Faça você mesmo, "do it yourself", odeio!Cansativa essa pressão indireta da mídia em relação a tudo isso. Uma euforia exacerbada , carnaval, macetando na minha cabeça e suruba na sauna que é bom não rola, ou devo dizer rôla.Estou meio Gregor Samsa: mas odeio barata, me recuso!mas a transformação assim mesmo acontece involuntariamente.Graças!Pois se dependesse  de mim , zona de conforto sempre!Contradições!  eu não sei  a dancinha do momento.Macetando e macetando   as vezes eu choro pra quebrar a rotina, ainda me emociono quando sinto gosto de uma boa cueca virada  e um olho no olho, raro hoje!

O corpo é o limite

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Sinto como se meu corpo todo estivesse em expansão ,sinto como se por algum instante de descuido a expansão rompesse o espaço  dentro e fora, existe somente uma energia pairando em volta da própria matéria que é chamada de corpo,o corpo é o limite..mas houve expansão e vejo apenas uma embalagem vazia. Volto e tenho de me encaixar porém não quero mais, quero o risco da expansão,o risco de perder o conhecido e percorrer novos mundos.

Fios invisíveis

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modo de usar: sugestão: leia ouvindo Johann Sebastian Bach-concertos for Oboe&Oboe D"Amore Caminho   e olho  para você.Insisto  na sua presença  mesmo que por imagem.Tento entender os afastamentos, sinto saudades..quero te abraçar. Fecho os  olhos estou na sala dos espelhos em Versailles, rodopio e rodopio ao som de Bach,olho para cima vejo estrelas e aos poucos o cenário vai se transformando....sinto como se estivesse sendo suspenso por fios invisíveis, e na medida que vou subindo meu corpo rodopia lentamente e chego até a estratosfera,noite estrelada ,espirais vangoghianas se entrelaçam em meu corpo,sinto como se estivesse congelado num espaço tempo,sua imagem reduzida ao que  é. Sua imagem cada vez mais diluída, rodopio entre estrelas e espirais coloridas.Fecho os olhos, quero sentir as cores que me atravessam, ainda é noite , pousei e caminho entre sequóias e olho não mas pra você,neste exato momento  eu sinto sauda...

Em algum lugar do passado

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De 8 em 8 horas mergulhar na Poesia Sugestão: leia este texto ouvindo  Somewhere in Time/The Old Woman (from S omewhere in time song of John Barry Minha primeira viagem foi o cinema, imagem em movimento, tela grande.Impacto profundo, podia ficar imerso ali por 1,2, 3 horas, quantas horas fossem,imerso numa outra realidade, uma realidade editada, construída pra me transportar  para o universo das possibilidades, projetava na tela uma extensão de mim mesmo, algumas vezes era o super herói, outras morria no final do filme, Indiana jones, sexy com sua roupa cáqui e principalmente seu chapéu inseparável , tantas lembranças.O cinema foi meu companheiro  e  me recebia  de braços abertos. Construindo identidade, adolescência, crises, angústias, desajustes, timidez, não ser bom em muitas cosias,mas naquele espaço tempo  de um filme esquecia de mim e era muitos,muitas,não via meu rosto  mas me sentia ali no rosto de Emma, outra vezes Sr.Darci. Camale...

Eu tenho mais de 20 anos

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  Hoje acordei com mais de 20 anos e  é inevitável   lembrar a canção na voz de Elis.Eu tenho mais de mil perguntas  sem repostas, vivemos uma sociedade  que nos puxa pra uma certa pretensão da perfeição, envelhecer nesta premissa ja seria um problema.  O quanto olhar no espelho se torna um desafio,mergulho de cabeça pra  dentro da imagem, exercício contínuo e doloroso. A vida tem disso e citando Saramago " É preciso sair da ilha pra ver a ilha.Não nos vemos se não  sairmos de nós" ouso  expor meu pensamento  que  o mergulho se dá de duas formas , sim precisamos  nos descolar de nós mesmos, olhar de fora  o espelho que fascina e nos da pistas falsas,mas quanto mais me abro pra vida real, tato e audição aguçados, mais consigo olhar pra imagem  com delicada criticidade e carinho  e assim abordamos a segunda forma que é podermos regressar com afeto e com real entendimento que o megulho ,sim, neste m...